terça-feira, 29 de novembro de 2016

Frase do Dia

"Forse era troppo bello questo team di invecchiare. Forse il destino ha voluto portarlo al culmine della sua bellezza"  ("Talvez fosse maravilhosa demais essa equipe para envelhecer. Talvez o destino quisesse levá-la no ápice de sua beleza")

Jornalista Carlos "Carlin" Bergoglio, se referindo ao acidente que vitimou a delegação do Torino em 1949. Essa frase serve para a terrível tragédia que se abateu sobre a Chapecoense!!!

A dor do futebol, de uma cidade, de um País...do mundo!

Fui acordado às 6:30 da manhã de hoje com a notícia da tragédia envolvendo o avião que levava a equipe da Chapecoense Medellin, na Colombia, onde disputaria a primeira partida da final da Copa Sul Americana. 

Após assistir e ler todas as desencontradas notícias, não consegui produzir um texto que pudesse externar o que senti e ainda estou sentindo pela estúpida perda que tivemos essa madrugada. Encontrei em um texto do excelente cronista Mauro Beting, a síntese do que representou essa tragédia para todos nós, em função disso, resolvi reproduzi o texto aqui no Blog:

"Se Danilo não defende com os pés aquela última bola do time do papa Francisco, amanhã teria Atlético Nacional X San Lorenzo, em Medellín. Maravilhosa defesa e sensacional narração do Deva Pascovicci, no Fox Sports. Só vi pela Fox o lance ontem, segunda, fim de tarde, quando vi que o tuíte a respeito dela era tweet10 do próprio Twitter. Com a entrevista do Danilo ouvindo a narração emocionante do Deva (meu amigo e colega desde Sportv-96) na conversa com Victorino Chermont (meu amigo e colega desde Band-99, Record e Fox). Na hora peguei meu celular pra mandar abraços pro Deva e parabenizar pela narração com ''o espírito de Condá''. 

Mas tocou o celular. E eu esqueci de mandar a mensagem pelo WhatsApp. Era Mara, mulher do Mario Sérgio, meu amigo e colega de Band, Bandsports e Fox. Pai do Felipe, colega de clube do meu Luca. Meu ídolo de Palmeiras 84-85. Meu craque desde o Vitória, em 72.

Mara estava preocupada com a logística da viagem para a Colômbia. Voo cancelado, depois voo fretado da Bolívia para a Colômbia, volta incerta e não sabida. Falamos do Felipe. Dos outros filhos do Mario. Dos meus filhos. De como é complicada essa vida correndo atrás da bola pelo mundo. Mesmo papo que Deva teve comigo na última transmissão que fiz no Rio, pelo Fox Sports, antes de trocar de canal. Ele estava ainda com a vida entre dois Rios. De Janeiro e Preto. Mezzo carioca, mezzo caipira de São José do Rio Preto.
Coisas da profissão que abraçamos. Mas nada pode ser trocado pelo abraço de quem nos toca.

Eu estava vendo o #tweet10 do Twitter porque o meu comentário na Jovem Pan na manhã de ontem havia sido escolhido para ser o do dia. Aquele em que falo em que há exatos 4 anos eu não chorei quando dei a notícia mais exclusiva da minha vida: quando anunciei na Rádio Bandeirantes que meu pai havia morrido, ele que estava havia quatro dias em estado irreversível. Eu estava preparado. E li numa boa os quase sete minutos de texto que preparara para meu blog. Não para ler no ar e dar a notícia ao vivo da morte do meu pai. Meu maior ''furo'' em 29 anos de carreira foi dar a notícia para milhares que não consegui dar ou ter coragem de dizer aos meus dois filhos. Eles souberam pelo Twitter. 

O meu #tweet10 era por isso. E por eu ter falado que, no domingo, no Allianz Parque, 20 minutos depois de Jailson ser substituído por Fernando Prass, eu pela primeira vez em 26 anos de rádio havia chorado. Por relatar a emoção que eu e milhares tivemos pela simbologia da troca. De dois ídolos que nasceram nesses últimos quatro anos. Dois caras de carisma e caráter. Um Prass que eu soube que vinha ao Palmeiras no momento em que o meu pai saía do velório ao crematório. Foi a notícia que o presidente Tirone me deu até para me confortar naquele manhã de quinta de 2012.
Foi o que falei na Pan. Chorei por uma troca, não pela morte do meu pai. Como explicar? E olha que a troca era esperada. Mas ainda assim chorei. Sentimento não se explica. Não se mede. Não se justifica. Muito menos se cobra. Apenas se sente. E não tem como dizer nada para Chapecó e a Chapecoense. Os melhores dias da vida do clube. A torcida de quase todo o país pela Chape. Time que em 2011 estava sem divisão nacional. Clube que em 2016 era paixão do país pela comovente campanha na Sul-Americana. A Chapecoense não era Brasil. O mundo é Chapecoense.
Campanha espetacular que levou Deva, Mario Sérgio, Victorino, PJ Clement, Jumelo e colegas de ofício e companheiros de futebol para Medellín. Cobertura que talvez eu fizesse se eu ainda estivesse trabalhando no Fox Sports. Casa que me deu tudo por três anos. Casa que agora tudo tem feito mais uma vez pelas famílias. Torcemos e vivemos juntos. 

Talvez eu não fosse escalado pela chefia para a transmissão. Talvez eu não fosse o escolhido. Como acabaram sendo os amigos que foram. E não voltarão para casa. 
Desculpa falar de algo pessoal. Mas sentimento é assim. Individual. Único. Ainda que choque todo mundo. E todo o mundo. E choca lembrar amigos queridos que partiram. Atletas que respeito. Famílias despedaçadas. 
Choca lembrar que torci muito por eles em toda a Sul-Americana. Que torci por eles até por ser mesquinho como gente. Queria também a Chape indo longe para chegar desgastada e focada em outro torneio no Allianz Parque. E ainda assim chegou bravamente. E saiu ainda maior ao final do jogo de campeões, no domingo. Do Verdão do Oeste contra o Verdão paulista. 

Relata Alex Ferreira de Castro pelas redes sociais: quando o ônibus da Chapecoense deixou o estádio do Palmeiras, a torcida que cantava e vibrava pelo enea começou a aplaudir a campanha da Chape. O elenco. A força. A luta. E dentro do ônibus eles começaram a aplaudir o aplauso dos torcedores rivais. 
Como deveria ser sempre. Mas não é. Aqui se mata porque alguém torce por outra cor. Aqui se mata por alguém distorcer por outra cor. Lá se morreu defendendo as cores do esporte e da vida. 
Eu queria escrever para as famílias, amigos e colegas de todos. Para toda Chapecó. Para a Chapecoense. 
Mas sou pequeno demais. Penso nos meus amigos. Penso que talvez eu pudesse ter estado nesse voo. Penso que se não vou pro Esporte Interativo eu talvez tivesse partido. Penso em mim e nos meus. E penso que não sabemos mesmo porra alguma na vida. 
Vamos mandar a mensagem que não mandei pro Deva. Vamos devolver o livro que há anos o Victorino me emprestou. Vamos fazer o projeto de internet que o Deva me convidou. Vamos dividir a camisa que às vezes eu roubava do PJ. Vamos tirar sarro do Jumelo que tanto me corneta pelo Palmeiras meu e o Corinthians dele. Vamos ligar pro Caio Júnior e parabenizar pela campanha. Vamos dar outros parabéns para o Danilo pelo assessor Diego. Vamos abraçar o Giovani Martinello. Vamos zoar o Mario Sergio por tanta coisa. Vamos aprender ainda mais de futebol com ele. Vamos ligar pro Felipe e pra Mara. 
Vamos aplaudir a Chapecoense. Vamos entrar de sócio-torcedor para dar apoio material. Vamos, clubes do Brasil, remontar o elenco da Chape. Vamos dar o título da Sul-Americana. Vamos criar a blindagem da equipe por três anos na Série A. Vamos ser coirmãos de coração. No amor e na dor.
Unidos por Chapecó. Terra do índio que defendeu seu povo e suas terras. Condá. Vitorino Condá. Como Victorino Chermont. Como tantos queridos guerreiros que partiram fazendo o que amam. 
O pé de Danilo no fim de uma partida deu a maior alegria e a maior tristeza de Chapecó. Vamos dar uma mão e o coração a todos que partiram". 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Frase do Dia

"Being in power is like being a lady. If you have to remind people that you are, you are not". (Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas que você é, você não é)

Margaret Thatcher

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Mises: A ação como ato de liberdade!

Caro amigo, para que você se sinta mais confortável com escreverei a seguir, vou pedir que você se acomode bem antes de dar prosseguimento à leitura desta postagem, caso esteja em um ônibus sentado, coloque seu fone de ouvido para abafar o som externo do ambiente; estando de repouso em casa, sugiro uma xícara saborosa de café ou chá para que se atente ainda mais ao texto; na hipótese de estar no trabalho, sugiro que você faça a leitura somente durante o seu horário de almoço, assim poderá ler com calma e certificará um entendimento claro do que foi lido, pois o que pretendo abordar, requer uma concentração grande no momento da leitura.

Após indicações de amigos e de minha enorme curiosidade em pesquisar e aprender, fui "seduzido" com a ideia de conhecer mais a fundo o trabalho do economista austríaco Ludwig von Mises, para poder entender e analisar com vocês aqui no blog, um pouco do pensamento deste autor que vem sendo "descoberto" mais recentemente no Brasil.

Ludwig Von Mises nasceu em 1881, na cidade Lemberg, situada no antigo Império Austro-Húngaro, filho de um famoso engenheiro civil, Arthur Edler von Mises, ele realizou seus estudos na Escola Austríaca de Economia, não demorou para se destacar como um aluno brilhante. Mises se formou em 1906 e contribui de diversas formas para ciência econômica: apresentou o teorema regressivo da moeda, mostrou a impossibilidade do cálculo econômico sobre um planejamento central e, entre outras coisas (confesso não dominar a matéria, mas pesquisei a importância destas contribuições, junto a comunidade econômica), mas a principal contribuição de Mises é aquela que pretendo tratar aqui neste texto, a "Praxeologia".

Mises acreditava que a ciência econômica era um ramo da ciência da ação humana, denominada por ele de praxeologia e, portanto, não pode se submeter aos mesmos métodos de investigação das ciências naturais, suas proposições não são obtidas por experiência, são como a lógica, "apriorística" (Relacionado com o apriorismo, doutrina que confere importância aos conhecimentos, conceitos ou pensamentos "a priori", os que independem da experiência ou da prática).

Para entender melhor o método de investigação de Mises, devemos recorrer a epistemologia. Especificamente, devemos examinar a epistemologia Kantiana apresentada em seu livro “Crítica da Razão Pura”, que influenciou bastante o pensamento de Mises. Para Emannuel Kant, as proposições poderiam ser classificadas de duas formas: proposições analíticas ou proposições sintéticas, que por sua vez seriam obtidas de modo a priori ou posteriori (tratar de Emannuel Kant aqui neste blog chega a ser de uma arrogância brutal deste blogueiro, mas é necessário citá-lo, para poder compreender um pouco as ideias e propostas de Mises)

As proposições analíticas são proposições a priori, ou seja, elas não necessitam de comprovação empírica, pois todo o conhecimento do objeto pode ser extraído do seu próprio significado. A própria grafia ou significado do objeto já define o seu significado:

Exemplo de proposição analítica a priori: um quadrado possui quadro lados!

Veja que não é necessário verificar se um quadrado possui quatro lados, pois está implícito em seu significado e na sua composição gráfica.

Já as proposições sintéticas possuem informações sobre o objeto a qual não está implícito em seu significado, por isso é necessário a confirmação através da experiência, ou seja, de forma posteriori, da experimentação.

Exemplo de proposição sintática posteriori: a bola é azul.

Note que, para concluir que a bola é azul, eu preciso recorrer a um dos cinco sentidos, neste caso, a visão, não posso retirar essa informação de seu significado, tão menos de uma dedução lógica. Preciso de uma complementação para poder ter um significado.

Para Mises, e Kant, haviam proposições sintáticas que poderiam ser provadas de modo a priori, desde que a negação de tal levasse a uma contradição performativa (parece complicado, né? Mas vou tentar ser um pouco mais claro).

Em seu livro "Ação Humana", de 1946, Mises colocara toda a epistemologia e começará a mostrar toda a  base para a ciência econômica que pretende apresentar: A praxeologia.

Ele compreendeu que, para entender o que leva os indivíduos a entrarem em trocas voluntárias, ele deveria, primeiramente, entender o que leva o ser humano a agir. Utilizando o apriorismo ele nos dá o que será a comprovação base de toda a praxeologia, o principio da ação.

Mises entende a ação como sendo algo necessariamente intencional. Ele dizia que: 

“Ação humana é ação propositada. Também podemos dizer: ação é a vontade posta em funcionamento, transformada em força motriz; é procurar alcançar fins e objetivos; é a significativa resposta do ego aos estímulos e às condições do seu meio ambiente; é o ajustamento consciente do estado do universo que lhe determina a vida. Estas paráfrases podem esclarecer a definição dada e prevenir possíveis equívocos. Mas a própria definição é adequada e não precisa de complemento ou comentário”.

Foi ai que Mises nos deu sua primeira dedução básica sobre o que queria dizer: O homem, ao agir, escolherá os meios mais eficientes para alcançar seu objetivo. Ao negar esse principio, automaticamente o agente que o faz estará caindo em uma contradição. Para isso ele terá de escolher meios, e escolherá o que julgar mais eficaz, para alcançar seu objetivo (refutar o principio apresentado).

Uma coisa que deve ser esclarecida é que, nem sempre, os indivíduos escolherão os meios mais utilitários para alcançar determinados fins, mas isso não refuta o principio, pois é levado em consideração apenas o meio que o agente optou como mais viável no momento de sua escolha. Duas pessoas com objetivos idênticos podem optar por meios distintos, isso é totalmente subjetivo. Uma delas pode estar errada quanto a sua escolha, mas só descobrirá depois da ação; caso descubra antes, certamente irá escolher outro meio. Esse é cerne do principio da ação.

Isso nos leva a uma outra importante constatação: O homem sempre agirá para sair de um estado de bem-estar para outro que julga superior. Sua ação será motivada por uma melhoria de condição atual, seja qual for esta melhoria.

Em sua obra "Teoria e Historia", Mises mostra a importância do conhecimento teórico para investigação pratica, ou seja, a análise histórica. Sem esse conhecimento prévio, a análise histórica pode nos levar a compreensões totalmente distantes da correta e a ligar fatos que não tenham causalidade alguma. Coisa que abordo com frequência em meus escritos, pois concordo com a premissa de Mises, da importância de uma minuciosa analise histórica, antes de qualquer ação a ser realizada.

Vou tentar exemplificar o que seria essa analise, pense nos Estados Unidos, pois bem, no século passado a população do País vivia em uma situação relativamente mais pobre do que agora; também, no século passado, eles tinham uma carga tributária menor. Hoje em dia, eles possuem um elevado padrão de vida e, ao mesmo tempo, sofrem com uma carga tributária mais elevada. Sem o conhecimento teórico para análise da história, poderíamos concluir que a alta carga de imposto aumentara a qualidade de vida americana. Percebem a questão?

Trata-se de uma falácia lógica que consiste na ideia de dois eventos que ocorram em sequência cronológica estão necessariamente interligados através de uma relação de causalidade. É claro que o padrão de vida americano não aumentou graças ao aumento de impostos, e sim apesar dele. Mas isso requer uma analise criteriosa dos fatos que levaram à essa melhoria e não somente uma correlação de fatos.

Os princípios e as leis econômicas obtidas por Mises são de caráter universal e atemporal, isto é, eles valem em qualquer localidade e em qualquer espaço de tempo. A ação humana não pode ser limitada a gráficos e estatísticas, pois ela é imprevisível; o máximo que podemos fazer é dar palpites bem embasados (coisa que, aliás, virou "especialidade" dos intelectuais brasileiros contemporâneos). Por mais que exista persuasão ou incentivos, o indivíduo agirá de acordo com sua vontade, escolherá os meios de forma subjetiva, ele decidirá por último. O arbítrio será sempre dele.

Aquele amigo que atendeu ao meu pedido do inicio do texto, você foi persuadido a preparar uma xícara de café/chá  ou colocar os fones de ouvido e, por mais que eu tenha despertado sua vontade, você escolheu executá-la por acreditar que lhe traria bem-estar e te ajudaria a compreender melhor o que viria a seguir.

Já o amigo que não atendeu ao meu pedido, você, certamente, pôde perceber que, apesar de propagandas e todos os meios utilizados para persuadir o homem a agir de certa forma, ele, em última instancia, vai decidir de acordo com sua vontade. Com aquilo que ele entender que vai ser melhor para ele, independente dos estímulos que ele venha a sofrer para fazer o contrário.

É isto que Mises nos apresenta: Ação é a vontade posta em prática!

Frase do Dia

"Ideen und nur Ideen können die Dunkelheit leuchten" (Idéias e somente idéias podem iluminar a escuridão)

Ludwig von Mises

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Neoliberalismo, o que é isso?

Nos dias de hoje, um dos temas mais abordados nas discussões políticas, sejam as de academia, de facebook ou de botecos, é o tal de "Neoliberalismo". O engraçado é que, se você questionar o significado exato deste termo à pessoa que o pronuncia (na maioria das vezes em tom depreciativo), ela demonstrará não ter a menor ideia do que se trata e mais, não faz nenhum esforço em estudar um pouco e procurar se informar minimamente sobre o que está vociferando contra seus adversários políticos.
Mas afinal de contas, o que é "Neoliberalismo"? Bom, pelo menos entre seus críticos, "Neoliberalismo" normalmente nada mais é do que um xingamento para Liberalismo (ao menos é o que parece). "Neoliberalismo" virou um termo pejorativo que a esquerda utiliza para atacar seus adversários (sejam eles liberais ou não).
Mas vamos lá, buscar entender o que significa o tal de "Neoliberalismo": Segundo a Wikipédia (principal "fonte" de informações dos intelectuais de "orelha de livro", como dizia meu velho pai), "Neoliberalismo" é simplesmente sinônimo de Liberalismo, vejam:
"Neoliberalismo é um termo controverso que se refere primordialmente ao ressurgimento, no século XX, de idéias do século XIX associadas ao liberalismo econômico laissez-faire. Tais ideias abrangem amplas políticas de liberalização econômica, como privatização, austeridade fiscal, desregulamentação, livre comércio, e reduções nos gastos do governo com o intuito de aumentar o papel do setor privado na economia".
Mas por que é chamado de "termo controverso"? Porque ele é usado, quase que exclusivamente de forma pejorativa, e não como um termo descritivo para denotar especificamente uma ideologia ou uma corrente de pensamento. Após analisarem quase 150 artigos de economia política que utilizam tal termo, os cientistas políticos Taylor Boas e Jordan Gans-Morse chegaram à conclusão que o termo "Neoliberalismo" praticamente nunca é utilizado positivamente. 
O termo é majoritariamente usado por teóricos contrários ao livre mercado, mas nunca lhe é dado alguma definição: "O significado de neoliberalismo jamais é debatido e, pior ainda, jamais é sequer definido. Como consequência, o problema nem é que haja muitas definições para o termo, mas sim que não haja nenhuma", dizem os citados pesquisadores.
Como falei anteriormente, ao termo não é dado um rótulo neutro; ao contrário, seu emprego é feito majoritariamente por pessoas que se opõem ao livre mercado. Dizem os pesquisadores: "Os resultados de nossa análise de ensaios acadêmicos confirmam que o uso negativo do termo "neoliberalismo" supera esmagadoramente seus escassos e eventuais empregos positivos". Em outras palavras, "Neoliberalismo" significa simplesmente um slogan anti-liberalismo. Nada mais é do que um termo esvaziado de conteúdo distintivo e preconceituoso.
Mas a verdade é que a ideologia neoliberal de fato existe (embora ninguém se identifique como tal) e possui um significado (um tanto amorfo, mas possui). E ela nada tem a ver com o genuíno liberalismo. Há uma clara, e intransponível, distinção entre o Liberalismo clássico da Escola Austríaca e o Neoliberalismo. Poucos sabem, mas o "Neoliberalismo" surgiu como uma terceira via entre o socialismo e o liberalismo. O neoliberalismo, portanto, surgiu entre ex-socialistas que haviam percebido que o socialismo não funcionava, mas que também não queriam abraçar inteiramente o liberalismo clássico.
O "Neoliberalismo" possui uma agenda abertamente intervencionista, ainda que menos intervencionista que o socialismo. Historicamente, os "Neoliberais" defendem monopólio estatal da moeda por um Banco Central, agências reguladoras para controlar determinados setores da economia, programas de redistribuição de renda, leis e regulações anti-truste, concessões em vez de genuínas privatizações e desestatizações, ajustes fiscais por meio de aumentos de impostos, além, é claro, de monopólio estatal da justiça, e saúde e educação fornecidas pelo estado.
 Ludwig von Mises batalhou contra um grupo de economistas da "Mont Pèlerin Society" que, na década de 1940, poderiam ser rotulados de 'Neoliberais'. Para Mises, esses neoliberais eram apenas relativamente liberais, comparados aos doutrinários socialistas, mas ainda eram intervencionistas que defendiam o monopólio estatal da moeda por um Banco Central, programas assistencialistas, e todo aquele supracitado aparato regulatório e burocrático comandado pelo estado.
Mises havia argumentado que uma divisão racional do trabalho poderia ocorrer apenas se houvesse preços de mercado para os fatores de produção, algo que, por sua vez, requeria a propriedade privada desses fatores. Em contraposição, os "Neoliberais" centraram-se exclusivamente nos preços em si, menosprezando exatamente as condições que permitiam o fenômeno da livre formação de preços. Neoliberais, portanto, acreditam existir "intervenções capazes de aprimorar o mercado".
Em resumo, pode-se dizer que "Neoliberalismo" é uma mistura de Social-Democracia, keynesianismo e alguma liberdade de mercado em termos microeconômicos.
Para aqueles que acompanham o debate de idéias, a distinção entre "neoliberais" e "liberais clássicos" é clara e nítida. Já para esquerdistas anti-liberais, que observam tudo de fora não se aprofundam em estudar (por má fé ou por ignorância), austríacos, chicaguistas e neoclássicos são exatamente a mesma coisa.  Para eles, todos esses "neoliberais" são igualmente a favor do livre mercado e do livre comércio, portanto todos eles concordam com os neoliberais do FMI (cuja presidência, só para constar, já pertenceu ao líder do Partido Socialista Francês).
Em algumas raras ocasiões, os críticos do neoliberalismo acabam acertando, digamos, "por acidente". Uso como exemplo: Quando esses esquerdistas (corretamente) se opõem a acordos comerciais gerenciados pelo governo, como o "Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica" (TPP, em sua sigla em inglês). 
Mas eles acertam pelas razões erradas. Eles se opõem a esses acordos comerciais não porque eles são acordos gerenciadas e controlados pelo governo; não porque eles representam uma extensão do estado regulatório e corporativista; mas sim porque eles erroneamente acreditam que acordos comerciais gerenciados e controlados  por governos representam um genuíno livre comércio (percebam a total falta de estudo e coerência).
Quero concluir algumas coisas aqui, uma delas é que os defensores consistentes do Liberalismo Clássico estão cercados, de um lado, pelos reais neoliberais e, do outro, pela esquerda anti-capitalista e anti-neoliberal. Outra, se pudesse, a esquerda anti-neoliberalismo alegremente expropriaria várias empresas. O empreendedorismo seria sufocado, as pequenas empresas seriam reguladas ao ponto de fecharem as portas, e o setor financeiro ficaria, mais ainda do que já é hoje, sob completo controle do estado.
Por outro lado, os verdadeiros "Neoliberais" continuariam manipulando a economia por meio de suas políticas monetárias e fiscais, regulando vários setores da economia por meio de suas agências reguladoras, ajudando e protegendo grandes empresas, evitando genuínas desestatizações em favor de falsas privatizações, de concessões com prazo determinado, e de parcerias público-privadas, e, acima de tudo, expandindo ainda mais o estado assistencialista. Querem um exemplo de um governo "Neoliberal"? Olhem para os governos Lula e Dilma!
Esses dois grupos dariam as mãos em defesa da saúde e da educação sob controle do estado, divergindo apenas no fato de que os neoliberais ao menos aceitam que também haja saúde e educação privada em paralelo. Os socialistas acreditam que a iniciativa privada não entra nessa seara. Ambos os grupos constituem ameaças significativas ao pensamento do Livre Mercado.
De resto, aquilo que a esquerda chama de "Neoliberalismo" é, na verdade, um "Não Liberalismo"


Frase do Dia

"Est pulcherrimum victoriae percutere te possit" (A vitória mais bela que se pode alcançar é vencer a si mesmo)

Santo Ignácio de Loyola

Democracia? Onde?

Uma das coisas que me chama atenção na esquerda é a sua capacidade de, como diziam os antigos, de "Virar o caminhão de melancia", de acordo com as suas conveniências e necessidades. Isso fica bem visível para analisar quando entendemos uma outra antiga máxima: "A democracia só existe e só é boa quando os eleitores escolhem a opção preferida por determinada classe de intelectuais e políticos".  Quando os eleitores escolhem candidatos ou resultados não-chancelados pela elite intelectual e política esquerdista, bom, aí a tal democracia saiu do controle e o povo demonstrou suprema "ignorância"

Os recentes resultados eleitorais: Referendo do Brexiteleição de Donald Trump, do referendo em que a população húngara decidiu restringir a imigração, e do referendo em que o povo colombiano rejeitou o acordo de paz do governo com os terroristas das FARC, a esquerda internacional percebeu que algo tem de ser feito para restringir a ideia de democracia irrestrita (uma ideia que ela própria vem promovendo há mais de um século).

A esquerda já percebeu que os referendos populares (como o desarmamento aqui no Brasil) fornecem uma maneira de os eleitores contornarem a vontade das elites esquerdistas, os  intelectuais e os jornalistas se uniram recentemente e, em uma reviravolta impressionante, passaram a denunciar a própria ideia de democracia direta. A mesma que usaram para sustentar a tese do "Golpe" que apeou Dilma Rousseff da presidência da república, mas que agora se torna "perigosa" aos interesses dessas elites.

Mas antes que comecem as acusações de que estou com propagando alguma "Teoria da Conspiração", basta ler sobre esse recém criado ataque ideológico à democracia, o "New York Times" (o principal veículo da imprensa esquerdista nos EUA), no início deste mês, publicou um artigo intitulado "Why Referendums Aren't As Democratic as they Seem" (Por que referendos não são tão democráticos quanto parecem).  Nele, os jornalistas citam vários "especialistas" que descrevem o processo democrático adotado em um referendo como "supérfluo" e "perigoso". Sugiro aos amigos que leiam o referido artigo e percebam o risco que a opinião dos tais "especialistas" representam à democracia.

O tal artigo, que nem sequer se preocupa em parecer minimamente equilibrado, não apresenta nenhum "especialista" dando alguma opinião pró-referendo, cita uma variedade de políticos, economistas e outros membros das elites com uma visão nada lisonjeira a respeito do povo que vota 'sim' para mudanças políticas, como o Brexit ou a eleição de Trump.  O economista Kenneth Rogoff, o mesmo que defende a abolição de todo e qualquer dinheiro em espécie (o que seria fatal para os mais pobres que não têm conta em banco), disse que referendos são uma "roleta russa para as repúblicas" (leiam, está escrito lá).

Outros "especialistas" citados neste artigo do "Times" descrevem os eleitores como imbecis que não entendem o assunto em que estão votando; completos ignorantes e que estão propensos a mudar de ideia a qualquer momento influenciados por caprichos superficiais ou pela opinião da chamada "mídia conservadora" (aquela conhecida aqui no Brasil como "mídia golpista"). Enquanto isso, após o povo colombiano ter votado contra um acordo de paz entre o governo e os terroristas marxistas das FARC, tanto a revista "The Economist" quanto o jornal internacional "Christian Science Monitor" declararam que era necessário "repensar" a ideia de "deixar a democracia diretamente nas mãos do povo". Quem é "Golpista" aqui?
Assim como os porta-vozes da elite política citados no artigo do "New York Times", os especialistas anti-referendos disseram que somente políticos treinados estão devidamente qualificados para tomar decisões políticas.  Isso é especialmente válido, dizem eles, no caso de política externa. É inadmissível, para essa gente, que um bilionário fanfarrão como Donald Trump entenda mais de política do que a "preparada" Hilary Clinton (ora, Trump é um gestor e como tal, possuí visão estratégica e tende a saber escolher as pessoas preparadas para os locais adequados, como bem disse a administradora Mauren Pessôa de Mello).
Essa instintiva reação anti-povo, demonstrada por políticos esquerdistas confortavelmente estabelecidos e por seus assessores e apoiadores, não é necessariamente errada.  Muitos eleitores de fato são ignorantes e muito realmente mudam de ideia sem qualquer motivo aparente.  Mas o que esses "cristãos novos" críticos parecem não entender é que, por uma questão de lógica, toda a sua reprovação aos referendos se aplica igualmente ao processo conhecido como democracia representativa. Se um referendo popular não "serve" como parâmetro para a escolha da sociedade, o processo de eleições diretas também não. Então, o que irão defender esses críticos dos referendos?
Ou será que, o que acredito ser o mais provável, eles percebem a contradição, mas simplesmente não ligam para isso.  Na próxima ocasião em que o povo votar "corretamente", os atuais críticos irão simplesmente fingir que jamais fizeram qualquer crítica à sapiência do povo e alegarão que a "escolha" foi democrática. Daí valerá a "vontade popular", quanta hipocrisia, quanta falta de respeito com a sociedade que dizem tanto defender.
Porém, agora que a elite esquerdista deixou claro acreditar que os eleitores são muito ignorantes e incompetentes ao ponto de votar pelo Brexit, pela eleição de Trump, pela restrição à imigração e contra o acordo entre o governo colombiano e as FARC, é de se imaginar isso os torna incompetentes também,  para votar para presidente, para senador e para deputado nas próximas eleições brasileiras, por exemplo?
No entanto, a cada vez que há uma eleição e o escolhido é aquele indicado pela elite esquerdista, somos obrigados a ouvir intelectuais e jornalistas dizendo que o povo realmente queria aquela opção e que, por isso, o eleito realmente ganhou "um mandato" do povo. Lembram do "Mensalão"? Uma das teses de defesa do ex-presidente Lula era de que: "Ele foi eleito pelo povo", o mesmo valeu para a defesa de Dilma.
Em suma, sempre que o povo vota em prol de algo que a esquerda gosta, então "o povo se manifestou" e sua escolha é "sagrada". Se a coisa sair "errada", o povo é ignorante e manipulável. Vá entender essa gente!

Frases do Barão, uma homenagem à Apparicio Torelly

"Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar"

Apparicio Torelly, o Barão de Itararé

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Frase do Dia

"Γνώθι σαυτόν, γνώση της άγνοιας σας και θα είναι σοφός" (Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua ignorância e serás sábio)

Socrates

Oração de São Bento

"Crux Sacra Sit Mihi Lux 
Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Sátana 

Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas 

Ipse Venena Bibas"

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Conservadorismo


Conversando com alguns amigos, fui surpreendido com uma indagação interessante, ao citar um determinado autor. O mesmo recebeu a alcunha de “desprezível” e o motivo dele receber esse “elogio” se deu, dentre outras coisas, pelo fato do referido autor ser considerado um “Conservador”. Pois bem, isso me motivou a tecer algumas ideias sobre o termo conservador e expor aqui, para os amigos que me acompanham nesse blog tirarem suas conclusões sobre o tema ou, em muitos casos, até tomar conhecimento do tema.

Obviamente, essas ideias não são regras fechadas ou que devam ser seguidas na prática política de quem quer que seja apenas são pensamentos desse humilde blogueiro. Na verdade, são apenas alguns critérios de reconhecimento para você, leitor amigo, distinguir, quando ouvir um político, se está diante de um conservador, de um revolucionário ou de um “liberal”, no sentido “brasileiro” do termo hoje em dia (que é uma indecisa mistura dos dois anteriores), como costuma dizer Olavo de Carvalho.

Então vamos lá, direto de uma letra extraída dos versos do hino da “Juventude Hitlerista” que diz assim: "Niemand besitzt die Zukunft" (Ninguém é dono do futuro”). "Die Zukunft gehört uns" (“O futuro pertence a nós”), pois bem, isso reflete a essência de um pensamento revolucionário, que consiste em vislumbrar um futuro hipotético, idealizado e que, em ultima instância ele (revolucionário) acredita ser a autoridade de julgamento no presente, mesmo que ele nada saiba sobre esse futuro, não consegue descreve-lo, apenas por meios de louvores genéricos a algo que ele não faz a mínima ideia do que se trata. Pois bem, um conservador fala das experiências passadas, acumuladas no presente (tudo aquilo que já foi devidamente experimentado e trabalhado ao longo da história humana).

Falemos de nossos políticos: Quando Lula dizia: “Não sabemos qual tipo de socialismo queremos”, ele partia de uma premissa equivocada de que o futuro da humanidade estava no socialismo, quando a mesma história humana mostra que na verdade, o socialismo tem um passado cheio de sangue e com milhões de mortos. Lula nos atribuía a possibilidade de que ele e os seus, podem nos levar de volta para esse cenário de terror (com a ilusão de ser o paraíso terrestre), garantindo que essa experiência será melhor sucedida sem nenhuma garantia, a não ser a palavra de alguém que, confessa nem saber de qual futuro está falando.
Em uma real democracia, cada geração tem o direito de escolher o que lhe convém. E isto implica que nenhuma geração tem o direito de comprometer as seguintes, com escolhas drásticas cujos efeitos não poderão ser revertidos jamais ou só poderão sê-lo mediante o sacrifício de muitas gerações. O povo tem, por definição, o direito de experimentar e de aprender com a experiência, e é ai onde reside o pensamento conservador, que nos mostra que ninguém tem o direito de usar seus filhos e netos como cobaias de experiências sociais temerárias.

Nenhum governo tem o direito de fazer algo que o próximo governo não possa reverter, as eleições periódicas (característica de um regime democrático) não faria sentido, se o governo posterior não pudesse alterar aquilo que foi implementado em governos anteriores. A democracia é, em sua essência, incompatível com qualquer projeto de mudança profunda e irreversível da ordem social, por pior que posa ser essa ordem social em determinado momento da história. Um conservador não consegue aceitar que nenhuma ordem social que já tenha demonstrado ser um conjunto de mortes, fome e miséria humanas. Nos últimos 300 anos não houve nenhum experimento revolucionário que não trouxesse essas consequências, portanto, para um conservador, não é possível enxergar que experimentos futuros possam ser diferentes do que a história já mostrou.

Em virtude disso, a democracia é o oposto da teoria revolucionária, a experiência democrática consiste em um governo que tenham experiências sociais revogáveis e de curto prazo, que possam ser substituídas, caso demonstrem ser ineficazes para a sociedade. A proposta revolucionária é de cunho eminentemente irreversível e de longo prazo e não permite que se questione essa transformação. Se levarmos ao seu conteúdo original, a proposta revolucionária visa não somente a transformação de uma sociedade e sim a transformação de mundo e também da natureza do individuo. Fica impossível discutir de forma democrática com alguém que não respeita nem sequer a natureza do interlocutor, vendo nela apenas a matéria provisória da humanidade futura. Amigos, é burrice acreditar que comunistas, socialistas, fascistas, nazistas e coisas afins, possam coabitar pacificamente no seio da esfera democrática com facções políticas muito menos ambiciosas, como diz, novamente, Olavo de Carvalho, “Será sempre a convivência do lobo com o cordeiro”.


Portanto, não podemos deixar de identificar aqueles que verdadeiramente buscam a democracia. Durante quase 50 anos, os brasileiros foram impregnados silenciosamente por uma crescente hegemonia do pensamento de esquerda, até para combater esse pensamento, se utiliza da linguagem desse pensamento. É necessário que as novas gerações voltem a estudar, comece a pesquisar as experiências históricas humanas e aprender com elas, esse procedimento está longe de ser “desprezível”, isso é ser democrático, buscar evoluir com experiências reais, devidamente testadas e analisadas pela história e não se deixar levar por aventuras utópicas e sem nenhuma garantia a não ser a fé cega no paraíso na terra, paraíso esse que mata, que não aceita ser questionado, que limita o pensar e principalmente o agir. 

Ser conservador, amigos, é querer uma sociedade mais democrática onde o pensar pode ser praticado por qualquer um, onde nenhuma entidade ou governo, diga o que você deve fazer e sentir. Se ser conservador é ser “desprezível”, bem, prefiro ser esse tipo de ser desprezível a ser um potencial “assassino social” ou de um populista sem escrúpulos, como muitos de nossos políticos com mandatos públicos, sejam eles de que partido forem.

Anarquismo

"A Anarquia é Ordem". 

Essa frase que pode parecer uma contradição, mas é isso que significa o simbolo anarquista (A letra "A", entrelaçada com a letra "O") e representa uma das correntes de pensamento e doutrina política que ouço muita gente falando e pouca gente entendendo do que se trata. E por este motivo resolvi escrever algo à respeito (já fiz isso aqui neste espaço, mas já tem muito tempo e minha visão pode ter se alterado durante esse período. A palavra "anarquia" vem do grego, prefixo "an" (ou "a"), significando "não", "que não quer", "a ausência de", ou "a falta de", mais "archos", significando "um governo", "diretor", "chefe", "pessoa em um cargo", ou "autoridade". 

Ou, como resumiu Piort Kropotkin colocou, Anarquia vem de palavras gregas significando "contrario à autoridade".

Mas o que vem a ser o tal "Anarquismo"? O Anarquismo é o conjunto de doutrinas que preconiza a organização de uma sociedade sem nenhuma forma de autoridade imposta. Considera o Estado uma força coercitiva que impede os indivíduos de usufruir liberdade plena. A concepção moderna de anarquismo nasce com as revoluções Industrial e Francesa. Em fins do século XVIII, William Godwin (1756-1836) desenvolve o pensamento anárquico na obra "Enquiry Concerning Political Justice" (algo como: "Perguntas sobre justiça política", em uma tradução livre)
Durante o século XIX do século passado surgem duas correntes principais da teoria e da prática anarquista, e que procurarei resumir a seguir:
A primeira corrente, encabeçada pelo francês Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), afirma que a sociedade deve estruturar sua produção e seu consumo em pequenas associações baseadas no auxílio mútuo entre as pessoas. Segundo essa teoria, as mudanças sociais são feitas com base na fraternidade e na cooperação. Experiências como esta foram realizadas inclusive aqui no Brasil, em algumas comunidades no interior do Paraná e de Santa Catarina.
Outra corrente importante é a do russo Mikhail Bakúnin (1814-1876) é um dos principais pensadores sobre o anarquismo. Essa corrente é também chamada de "coletivismo". Essa corrente defende, entre outras coisas, a utilização de meios mais violentos nos processos de transformação da sociedade e propõe a revolução universal sustentada pelo campesinato. Afirma que as reformas só podem ocorrer depois que o sistema social existente for destruído. Os trabalhadores espanhóis e italianos são bastante influenciados por Bakúnin, mas o movimento anarquista nesses países é esmagado pelo surgimento do fascismo.
O russo Piort Kropótkin (1842-1876) utiliza o pensamento da corrente de Bakunin e introduz uma tesse mais focada em uma junção entre o anarquismo e o comunismo que cada vez mais ganha força entre os pensadores europeus da época. Sua tese é conhecida como "anarco-comunismo" e se fundamenta na abolição de todas as formas de governo em favor de uma sociedade comunista regulada pela ajuda mútua e cooperação, em vez de instituições governamentais.
Enquanto movimento social, o anarquismo não sobrevive à II Guerra Mundial. Pois a consolidação do poder da URSS de Stalin, desarticula completamente a estrutura do movimento, que acaba se tornando algo quase "esquecido" nos movimentos de trabalhadores e campesinos. Voltando a ser "moda" entre os jovens da década de 60, que pregavam a "liberdade" e a cultura do "Paz e amor".
Claro que escrevi aqui muito ressumidamente sobre o Anarquismo, mas quem tiver interesse em saber mais sobre o tema, sugiro ler os principais teóricos do movimento (citados aqui: Proudhon, Bakunin, Kropotkin) e procurar entender um pouco mais obre o movimento, antes de sair por ai pregando o "contra" ou a "favor", sem saber do que de fato se trata o movimento anarquista.

Frase do Dia

"Neutral ist, die bereits durch das stärkste entschieden" ("Neutro é quem já se decidiu pelo mais forte")

Max Weber

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O Marxismo na cultura universitária brasileira

Aproveitando a festa de aniversário de uma amiga, tive uma agradável conversa com um grupo de amigos sobre um assunto que adoro: Política. Conversamos sobre os novos rumos no Brasil, a "guinada" (não é bem guinada, mas uma volta as origens), que a sociedade está dando para a direita e como os chamados "movimentos socais" estimulam a violência e a "cegueira" política de gerações de jovens (como a minha) que cresceu acreditando que o mundo perfeito é aquele apregoado pela esquerda e que qualquer outra forma de pensar o mundo, é atrasada e e não reflete o anseio da sociedade.

Em minhas postagens aqui neste espaço, já deixei claro o quanto questiono o "modus operandi" da esquerda no Brasil: Idealismo megalômano e fanático, ausência de auto-crítica e falta de noção de lógica. São pessoas presumidamente inteligentes, mas que se deixaram dominar pelo viés marxista alucinado da realidade, o que faz delas não tão inteligentes assim. 

As manifestações que ora ocorrem, tipo invasões de escolas e universidades, são executadas por jovens que ainda acreditam nessas utopias. E não percebem o quão manipulados são, pelos ideólogos de esquerda que se "alimentam" desses jovens para buscar massas de manobra para os interesses da esquerda. Mesmo sabendo disso, a presença de esquerdistas apoiando o governo dentro das universidades públicas, ainda me espanta. 

A universidade deveria ser um centro irradiador de conhecimento e lucidez intelectual. Mas no Brasil, em especial nos cursos da área de ciências humanas (jornalismo, história, ciências políticas, direito) das universidades públicas, só o que se vê é uma doutrinação sistemática repleta de chavões que passam a ser repetidos pelos estudantes como papagaios. Os vídeos feitos por movimentos como o MBL, mostram claramente que, quando questionados sobre os motivos que os levaram a invadir os prédios públicos, a maioria não sabe responder por quais motivos estão lá (não conhecem o teor da PEC dos gastos públicos, não sabem as medidas que o governo federal vem tomando e chegam, ao absurdo, de aplaudir discursos de pessoas do MBL que, infiltrados, falam slogans de campanha de Eduardo Cunha!).

Ora, o sujeito, até por ser jovem e ter pouca noção das coisas, entra na universidade, começa a repetir esses chavões por aí sem a menor noção crítica do que significam ou se condizem com a realidade ou não, e se acha o "Cidadão Crítico". Dá pra levar a sério esse tipo de gente?

Quanto aos alunos, até compreende-se que a ingenuidade e a pouca bagagem intelectual deles permita esse tipo de influência. Mas e quanto aos professores, se manifestando publicamente em defesa de um partido claramente corrupto; como pode algo assim se suceder? Por que a maioria dos intelectuais, artistas e estudantes de humanas ser tão obstinadamente a favor do PT? 

Luiz Felipe Pondé tem sua hipótese:

"Essa adesão significa poder nos departamentos, órgãos colegiados e instituições que financiam pesquisas. […] Grana e poder localizado dentro do espaço institucional acadêmico. O mesmo serve para os editais de cultura dos artistas que vivem do governo. Muitos alunos são tragados, em seu impulso de querer mudar o mundo (muitas vezes, em detrimento de arrumar o próprio quarto), por essa máquina de corrupção interna ao mundo intelectual institucional. 

De um ponto de vista da carreira, essa adesão pode, inclusive, garantir concursos e parcerias interessantes. Mas existe uma causa mais “metafísica” ou mais sofisticada para gente “inteligente” apoiar caninamente e violentamente o PT e associados, em sua saga pela corrupção ideologicamente justificada. Eis a causa: para a moçada “inteligente”, o horror à corrupção é coisa do humanismo burguês (“coxinha“, numa linguagem mais atual). 

Para esses “inteligentes”, se a corrupção, o crime, a mentira, a violência, forem em nome da “causa”, tá valendo. É isso que grande parte das pessoas não entende quando se choca com o fato que a universidade, a “arte” e a “cultura”, em grande parte, apoia caninamente corruptos com metafísica, como a tropa de choque do PT e associados".

Em outras palavras: Embora jamais admita, a grande maioria dos intelectuais brasileiros não se importa com a corrupção, nem a considera o ato deplorável que de fato é. Se esta vier em favor da ideologia  (a suposta melhoria de vida das classes mais baixas ) tudo bem, desde que sobre um quinhãozinho para eles, os intelectuais, porque ninguém é de ferro, obvio. E por que não se importam com a corrupção? 

Porque quem mais reclama da corrupção são os ricos e a classe média. Entretanto, como eles "Odeiam a Classe Média" (CHAUÍ, Marilena) e os ricos, querem que dane-se suas exigências. O fato é que se pautam mais ou menos naquele ditado que diz: Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão. 

É sabido que para eles, os esquerdistas, todo e qualquer rico ficou rico roubando e explorando os outros, o que evidentemente não é verdade. Portanto, toda demanda que venha dos ricos e da classe média, é ignorada. E toda derrota ou revés que essas classes sofram, é comemorada. Mas só lhes falta perceber, aos esquerdistas, que quem mais sofre com a corrupção é justamente a classe baixa que eles tanto amam e defendem. São justamente os mais pobres que pagarão o preço pela deslavada corrupção da esquerda e principalmente do PT. A pergunta persiste: Será que a esquerda é defensora dos pobres?

Para finalizar, gente de moral questionável, e de visão limitadíssima, engaiolada por uma cartilha marxista que fundamentou todas as experiências socialistas fracassadas do mundo; esta gente é a que domina o ambiente acadêmico e dita os (des)caminhos do pobre pensamento brasileiro. Sendo assim, caso não haja uma retomada das universidades por parte das pessoas que pensam por si e que queiram realmente um ambiente plural e democrático, este país não tem como dar certo. 

Esqueça!










Gramsci: da Arte à "Pedofilia" 5

Quero pedir escusas para os leitores pela demora em escrever a sequencia do ensaio que estou fazendo sobre a obra de Antonio Gramsci, mas a...