terça-feira, 27 de setembro de 2016

Entre Anjos e Demônios

Certa vez, Santo Agostinho, escreveu sobre quando foi para o deserto fazer um retiro de silêncio e foi acometido por todo tipo de visão (tanto demônios quanto anjos). O sábio bispo disse que em sua solidão, algumas vezes encontrava demônios que pareciam anjos, e outras vezes encontrou anjos que pareciam demônios. 

Ao ser questionado como ele sabia a diferença, o santo respondeu que só se pode dizer quem é quem com base na sensação que se tem depois que a criatura foi embora. 

Ou seja, se você ficar arrasado, disse ele, então foi um demônio que veio visitá-lo. Se você se sentir mais leve, foi um anjo!

Ao ler esse escrito do sábio mestre, procuro me ater aos fatos contidos em aspectos da nossa vida contemporânea e, em especial, no período que vivemos de eleições municipais, acirradas, tensas e que envolvem um componente emocional extremamente delicado. Onde "anjos e demônios" habitam os noticiários, os programas de TV, as ruas e até mesmo dentro de nossas casas.

Parei para analisar a observação de Agostinho e quero compartilhar essa reflexão contigo, amigo leitor, qual a sensação que determinado candidato deixa em ti, após uma propaganda, um debate, uma visita ou até mesmo em uma imagem? Ele te passa uma sensação de confiança? Ele te deixa mais "leve"? ou ele apenas te deixa incrédulo? Sem perspectivas, achando que todo político é igual?

Creio que seja fundamental essa reflexão para que melhor possamos escolher o nosso representante nas próximas eleições, pois não é possível prever o futuro, mas é importante levarmos em conta qual a sensação que determinada pessoa pode causar em nós, respeitar um pouco os nossos sentidos e instintos. A racionalidade, por incrível que possa parecer, não se apresenta para mim como uma ciência exata e como tal, eu também preciso da minha sensibilidade para fazer uma leitura correta do fatos.

Vamos tomar cuidado e ficar atento à todas as manifestações dos candidatos, suas atitudes, seus discursos e suas medidas. Mas vamos também atentar para qual a sensação que essas ações causam em nós, após o candidato "passar" por você, analise se ele pode ser um "Anjo" ou um "Demônio".

Frase do Dia!

"Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae."

São Tomás de Aquino

Um poema de Francisco!

"Uvas

Ó tempo
deixai de ser
o que não é,
ser parcimonioso,
até por que não és
não passas
de uvas
esquecidas,
de fato,
determinas tudo ...
Não é?
Caro tempo ..."

São Francisco de Assis

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Aprendendo a se Relacionar

Este ilustre blogueiro resolveu voltar às atividades (sei lá por qual vez), após alguns meses de turbulências pessoais. E quero voltar falando de um tema um pouco mais intimista do que o habitual deste blog, falar de relacionamentos.

Muitos relacionamentos acabam fracassando pela cobrança excessiva. Queremos transferir para o outro aquilo que sempre idealizamos como "perfeição". Queremos que o outro seja uma cópia exata dos nossos anseios e desejos, puro egoísmo, e ai fechamos os olhos sobre os sentimentos e características do outro, não enxergamos a diferença, e aquilo que foge aos nossos padrões.

Meu caro amigo leitor, lamento te dizer, mas você não encontrará ninguém perfeito, e se você desistir de seu relacionamento por causa das diferenças, ai é bem provável que ao se relacionar novamente, você encontrará novos problemas. Se é que existe, o segredo de um relacionamento saudável é não exigir que o outro mude, é se adaptar as diferenças e aprender a lidar com isso. Levando como maior peso, as características que fizeram você se aproximar do parceiro (a).

Ora bolas, qual o problema se você gosta de Fruki gelado e ela de Coca Zero? Se você gosta de assistir um filme de suspense e ela de comédia romântica? Qual o problema se ele é daqueles caras que falam eu te amo todo dia? Ou que manda flores pra você no seu trabalho?

E se o modo dele te amar é passando a maior parte do tempo dele com você? E se a forma dele demonstrar que te ama é cuidar de você, mesmo você não precisando ser "cuidada", pois sempre soube se cuidar muito bem?

Infelizmente às vezes sufocamos um relacionamento com tantas cobranças, deixamos de valorizar o modo como o outro nos ama, queremos que alguém nos ame exatamente como amamos. Esquecemos que o amor não é uma teoria singular, não tem uma definição única. Amor é algo particular, cada um ama de um jeito e exterioriza o que sente de forma diferente. E ai, nosso egoísmo enquanto humanos, acaba não permitindo que a gente consiga aproveitar a maravilha que é, conviver com o outro, aprender com o outro.

A gente precisa aprender a linguagem do amor, mas não a do "nosso" amor, mas do amor do outro, entender como o parceiro ou a parceira nos ama, qual a sua maneira de amar. E, quando a gente entende isso, o amor se torna mais leve, se torna mais bonito porque descobrimos o novo. E então, às vezes assim sem querer, melhoramos muita coisa em prol do outro não porque ele ou ela nos pede incessantemente, mas porque queremos.

É fácil? Com certeza não, mas o amor é um aprendizado constante, é uma escolha diária. O amor é simplicidade. Relacionamento baseado em cobranças acaba se desgastando e o amor perde sua finalidade. Precisamos saber reconhecer o novo (e temos dificuldade de aceitar isso) valorizar a pessoa com quem nos relacionamos, saber lidar com as diferenças exige maturidade. E isso passa pela nossa capacidade de compreender o outro, valorizar o outro, "ceder", muitas vezes, é uma forma inteligente de "avançar".


Em suma, queridos amigos, não é o amor que sustenta um relacionamento, é o modo de se relacionar que sustenta o amor.






Gramsci: da Arte à "Pedofilia" 5

Quero pedir escusas para os leitores pela demora em escrever a sequencia do ensaio que estou fazendo sobre a obra de Antonio Gramsci, mas a...